quinta-feira, 12 de julho de 2012

A ANTT na prevenção de acidentes



ANTT mantém normas que contribuem para acidentes graves 


de ônibus


           O Brasil aderiu ao projeto da Organização Mundial da Saúde de uma década de ações para reduzir acidentes e o Governo Federal lançou o “Pacto Nacional pela Redução dos Acidentes no Trânsito – Um Pacto pela Vida”, entretanto, a ANTT- Agência Nacional de Transportes Terrestres, está na contramão criando condições para mais acidentes nos próximos 15 anos. Ocorre que o transporte rodoviário de passageiros, das linhas interestaduais, está em processo de licitação sob o comando da agência. Os editais publicados pela ANTT mantém normas que colocam em risco a vida dos passageiros, motoristas e demais usuários das rodovias. Simplesmente ignora as atuais políticas de prevenção de acidentes em vigor no mundo.
       Pelo edital, que está em audiência pública, a ANTT estebelece que um motorista poderá dirigir até 4h30 sem parar, até chegar ao ponto de parada ou destino. Essa determinação obriga o motorista a dirigir, em alguns trechos, quase 320km sem parar. A parada é fundamental para reduzir acidentes por fadiga, conforme comprovam vários estudos e perícias de milhares de acidentes que ocorrem no Brasil todos os anos. A ANTT está ciente disso, já foi alertada mas parece indiferente a questão.
       Os esquemas operacionais, que estabelecem hora de partida, paradas e chegada, é trabalho de técnicos e engenheiros. Entretanto, os mesmos esquemas não são analisados por médicos que poderiam atestar a capacidade do motorista de dirigir com segurança nessas condições, bem como as consequências paras os passageiros de trafegarem tantas horas dentro de um veículo.
          “O SOS Estradas, baseado nos índices apurados no Estudo Morte no Trânsito – Tragédia Rodoviária” estima que ocorram no Brasil, nas rodovias federais, estaduais e municipais, cerca de 20.000 acidentes por ano, envolvendo pelo menos 700 mil pessoas, causando 2.600 mortes e deixando em torno de 15.000 feridos. Pelo menos 50% ocorrem em rodovias federais.

ANTT não esclarece quais os critérios médicos e procura mudar o foco

        Consultada pelo Estradas.com.br sobre quais os critérios médicos para autorizar viagens com até 4h30 de direção contínua, o equivalente a quase 320km em algumas rotas, a ANTT não respondeu mas fez questão de contestar a distância: “Esclarecemos que a afirmação de que 4h30 de viagem corresponde à 320 km de extensão percorrida, não é correta, pois mesmo considerando uma situação de viagem mais expressa, ou seja, que o ônibus trafegue em um trecho asfaltado e duplicado, sem pontos de seção e ou parada, a extensão máxima percorrida pelo ônibus seria de 302 km, pela média prevista no edital, o que equivale à distância entre Curitiba/PR e Florianópolis/SC.”

O que dizem os Médicos

       O Prof. Dr Marco Túlio de Mello, do Departamento de Psicobiologia da UNIFESP, coordenou estudo com 400 motoristas de ônibus de linhas interestaduais , em laboratório do sono, no qual foi verificado que 55% dos motoristas cochilavam eventualmente ao volante.
          Ele entende que as paradas devem ser pelo menos a cada 3h00 de direção, para permitir ao motorista recuperar os reflexos. Mello considera muito importante médicos avaliarem os esquemas operacionais: “Não dá para pensar somente em aspectos mecânicos e ou de trabalho, sem levar em conta o biológico.”
Para Dirceu Rodrigues Alves , Diretor do Departamento de Medicina Ocupacional da ABRAMET- Associação Brasileira de Medicina de Tráfego, o ideal é parar a cada 2h00 de direção e isto vale para qualquer motorista. Segundo o especialista, a partir de 4h00 de direção contínua o motorista tem lapsos de memória. “ A ciência médica mostra que com quatro horas de direção veicular, o motorista tem déficit da função cognitiva, isto é, ocorre redução da atenção, concentração, vigília e agilidade mental.”

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